Charges do Edra, comemorativas de aniversário do Diário de Caratinga
No dia 21 de março de 1995, Caratinga acordava para uma nova era. O surgimento do então Diário do Aço/Caratinga representou um importante avanço na imprensa caratinguense. Surgia ali uma maior proximidade entre os fatos e o leitor, consolidando o compromisso com a informação ágil. A notícia passava a ser diária, viva e pulsante.
Dois anos depois, tive a oportunidade de integrar-me a equipe do jornal por meio da charge — linguagem que, com humor e crítica, traduz o cotidiano e provoca reflexão. Minha proposta era clara: abordar temas pertinentes à nossa realidade, transformando acontecimentos do dia a dia em imagens que dialogassem diretamente com o público.
Na edição do segundo aniversário do jornal, uma ideia simples, mas emblemático, tomou forma. Desenhei um leitor satisfeito, acomodado em seu sofá, observando o calendário e celebrando a possibilidade de, no dia seguinte, já estar atualizado sobre os acontecimentos da cidade. Era o retrato de uma mudança concreta: o fim da espera semanal por notícias e o início de uma rotina informativa mais dinâmica e presente.
Em 2002, o jornal deixou de ser uma sucursal do Diário do Aço de Ipatinga, passando a ser o Diário de Caratinga. Ao longo de três décadas, divididas em três passagens marcantes (1997; 2003-2012; 2015-2016), assinei mais de três mil charges. Cada traço acompanhou as transformações de nossa sociedade. Agora, em 2026, quando o jornal celebra seus 31 anos de circulação, sigo como colaborador eventual e fui convidado pelo editor José Horta a revisitar uma das charges já publicadas e recriá-la sob uma nova perspectiva. Aceitei o desafio com entusiasmo.
Do nanquim ao algoritmo
A escolha não poderia ser outra senão aquela charge do leitor no sofá. Mas, de 1997 para 2026, o mundo mudou de forma vertiginosa. Se antes a grande revolução era a notícia diária, hoje vivemos o tempo real, o "agora" das redes sociais e a onipresença digital. Para marcar essa metamorfose, decidi que a nova versão da charge não seria apenas uma releitura visual ou da evolução dos traços, mas uma demonstração técnica dessa nova era, na qual o papel vem cedendo espaço para as telas.
Utilizei os recursos da Inteligência Artificial (IA) para recriar o conceito original. Se antes o preto e branco do nanquim registrava a espera pelo amanhã, hoje a tecnologia de ponta simboliza a velocidade instantânea da informação que o Diário de Caratinga continua a entregar, agora em múltiplas plataformas. O que muda é o contexto, a velocidade e as ferramentas.
A IA, neste contexto, não substitui o olhar do artista, mas serve como o símbolo perfeito de uma imprensa que se recusa a envelhecer. O Diário de Caratinga completa 31 anos provando que, seja no papel de 1995 ou nos pixels de hoje, o compromisso com a nossa gente permanece o mesmo: manter o cidadão por dentro das novidades, sem ter que esperar. Mais do que uma atualização estética, essa releitura é uma reflexão sobre o tempo, sobre as transformações da imprensa e sobre a capacidade de adaptação dos meios de comunicação. Afinal, se a forma de informar evolui, a necessidade de informar com qualidade, responsabilidade e proximidade continua sendo o verdadeiro alicerce de qualquer jornal.
Assim, entre o traço do passado e as possibilidades do presente, seguimos contando — e desenhando — a história de nossa gente.
Parabéns, Diário de Caratinga, e muito obrigado pela oportunidade de fazer parte desta história.
EDRA – Cartunista e Produtor Cultural
Fonte: Diário de Caratinga; edição de 22/03/2026







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